sexta-feira, 4 de julho de 2014

Resenha: Libertada - Michelle Knight

"Histórias desse tipo viram notícia, mas quando a poeira baixa, é fácil esquecer todas as pessoas que continuam desaparecidas. Esse é um dos motivos que me levaram a abrir minha vida neste livro: quero que todos se lembrem daqueles que estão perdidos". p. 9
"Libertada" não é uma leitura fácil, mas desde o momento que comecei não consegui desgrudar os olhos.

Quem não se lembra dos sequestros de Cleveland

Michelle Knight ficou por mais de uma década desaparecida, sequestrada, encarcerada, estuprada e vítima de maus tratos. Sua família achava que ela tinha fugido, a polícia não procurou por ela, enquanto isso, a única coisa que a fazia permanecer viva era a lembrança de seu filho Joey.
Nesse livro comovente Knight conta sobre sua infância, os abusos que sofreu da família, sua adolescência difícil, a perda da guarda do filho e o sequestro. Esta é a parte mais difícil e é impressionante como ela conseguiu se manter viva, mesmo com tanta violência, abuso, desnutrição e abortos.

"O homem que roubou grande parte da minha vida preferiria que eu ficasse quieta. Mas é exatamente por isso que não devo ficar. Mesmo antes de me ver no lugar errado, na hora errada, eu já sentia que não tinha voz. Por isso agora quero falar por todas as mulheres e crianças desaparecidas que ainda não estão sendo ouvidas. Espero que nunca mais ninguém se sinta como eu me senti por tantos anos: jogada fora. Ignorada. Esquecida (...)
Posso ter sido acorrentada, desnutrida e espancada, entretanto aquele monstro não foi capaz de esmagar completamente o meu espírito". p. 10
A leitura te consome, não consegui parar de ler, passei o dia inteiro grudada no livro...queria saber mais, onde esta Joey? Como era a relação de Michelle, Amanda e Gina?
Em detalhes a autora conta sobre a amizade com Gina, a terceira sequestrada, e como Jocelyn, filha de Amanda, que nasceu no cárcere, deu esperança às três moças.

O livro ainda conta com fotos do cárcere, mostra os quartos, correntes, e fotos de onde as meninas ficaram presas.

No entanto "Libertada" não é um livro de desgraças, é um livro de superação! Conta como uma garota que sofreu nas mãos da família e depois nas mãos de um "louco doentio" por onze anos esta se recuperando e tem acima de tudo muita vontade de viver.

O texto é extremamente comovente, humano, emocionante e tenso. Me peguei chorando em várias partes, mas não consegui parar antes de terminar a leitura, e posso dizer: vale cada página! 

"Libertada", acima de tudo, é o relato de uma mãe que conseguiu suportar as piores coisas buscando forças no amor incondicional que sente pelo filho.

"Às vezes me pergunto qual a finalidade de toda essa dor que vivi? Por que Deus não pode tornar possível que nunca passemos por dificuldades? Um dia, no céu, vou ter que perguntar isso a Ele. Mas por enquanto, o único sentido que posso dar a tudo o que aconteceu é esse: todos nós enfrentamos dificuldades. Podemos não querer isso, mas enfrentamos. Mesmo não entendendo minha dor, preciso transformá-la em algum tipo de propósito". p. 186