terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Crônicas do dia a dia: O que vale na vida?

Eu nunca fui uma menina bonita, pelo menos nunca me senti assim, eu olhava no espelho e ele me falava exatamente como me via. Então desde pequena eu sabia que precisava de outros atributos para aparecer na vida.
Achava que o caminho era ser inteligente e que quanto mais eu estudasse mais inteligente eu ficaria, e foi assim, sempre estudei muito e sempre gostei muito disso. Mas foi nos livros que encontrei alento para minha alma que sempre ansiou por respostas.
No Ensino Médio, vulgo Segundo Grau, uma professora maravilhosa e brava, mandou a classe ler "Olhai os Lírios do Campo" de Érico Veríssimo. 
Lendo a estória de Eugênio, eu me comovi com aquele garoto pobre, que queria subir na vida, que tinha vergonha das origens e que casara sem amor pensando somente em sua posição social. Mas o auge da leitura foi conhecer Olívia, uma moça sem grandes atributos fisicos, mas com o coração cheio de bondade, amor e carisma.
O amor dos dois mexeu comigo, e eu nunca consegui esquecer dessa estória e muito menos de Olívia e suas palavras.

"Enquanto as estrelas brilharem haverá esperança na vida."

Li e reli as cartas de Olívia à Eugênio, me apaixonei, chorei e quis um amor desse...um amor sereno, compreensivo, infeliz mas bonito, um amor como os lírios do campo que "...não fiam nem tecem e no entanto nem Salomão em toda a sua glória se cobriu como um deles".

Ai eu descobri que além de ser inteligente, eu precisava ser uma boa pessoa, ter um coração mais bonito do que o rosto, ter ternura evaporando pelos poros, saber doar antes de receber, e é isso que eu busco até hoje, mesmo depois de mais de 20 anos dessa leitura.

Como diz Fernando Pessoa em um poema maravilhoso que li:
"Já que não posso ser obra de arte no corpo que seja na alma".
E o que vale na vida? Quem você é ou como você é?