quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Resenha: Adeus à Inocência - Drusilla Campbell



“Quanto mais conhecia Madora, mais sentia que havia nela solidão e tristeza que correspondiam aos mesmos sentimentos que havia nele e que, quando conseguisse encontrar uma maneira de conforta-la, isso o faria sentir-se melhor também. Ele não sabia como faria isso, mas estava determinado a inventar algo mais cedo ou mais tarde”. P. 149

Eu já li muito livro por achar a capa linda, mas quando vi a capa de “Adeus à inocência” confesso que tive que ler a sinopse para me interessar.  Olhem a capa americana que fofa!
Táitulo em inglês: Little Girl Gone
“Adeus à Inocência” conta a estória de Madora, Willis e Django e se passa em Yuma/Arizona. 

Madora é uma menina de 12 anos quando seu pai suicida-se com um tiro na cabeça no meio do deserto. Tal fato fez com que a família se desestabilizasse. 
Passados 5 anos do ocorrido, sua mãe continua em depressão e a menina parou de estudar e se envolveu com más companhias.

Até que conheceu Willis Brock, um rapaz de cabelos compridos, bonito e extremamente respeitador. Ele coloca Madora na linha novamente e depois de alguns anos vão morar juntos numa casa abandonada no deserto. Madora é extremamente apaixonada por ele. Ela é capaz de todas as loucuras em nome desse amor, pois acredita em Willis cegamente, e deseja montar uma família com ele.

No terreno onde moram, além do casebre e de muito ferro velho espalhado, existe um trailler que serve de abrigo para a Linda, uma garota grávida que Willis sequestrou e aprisionou. Willis tem um dom de persuasão muito forte e convence Madora  que esse é o melhor que eles podem fazer por uma garota grávida e perdida.

“Mesmo as jovens ainda com gordurinha da infância. As mais velhas, as magrelinhas, usavam jeans abaixo dos quadris estreitos, ostentando tatuagens de borboletas e os T das calcinhas fio dental. Havia 2 ou 3 que ele seguira até em casa no passado para certificar-se de que estariam a salvo. Ele queria jogar casacos e cobertores sobre todas elas, sair com elas embrulhadas, trancá-las até que caíssem na real e encontrassem alguma dignidade, algum amor-próprio”. P. 137

Nesse meio tempo, conhecemos Django, um garoto de 12 anos que perdeu o pai e mãe num acidente de carro. Ele é de família extremamente rica, pois seu pai era um guitarrista astro de rock, porem agora sem eles, o garoto teve que ir morar numa cidade desértica com a tia Robin, uma mulher um tanto fria que ele mal conhece.
Django e Madora começam uma amizade por causa de Foo, o cachorro de Madora, e aos poucos ela consegue perceber que nem tudo é como imagina/parece.

 “Quem teria imaginado que Madora fosse desenvolver pensamentos próprios?” p. 144

A escritora mostra 3 personagens completamente diferentes, conseguimos entrar na mente de cada um deles e até mesmo entendê-los.
Madora sofreu demais a perda do pai e de certa forma coloca Willis no lugar dele, este tem alguns motivos que o levaram a uma ideologia fanática de “salvar meninas”. Django apesar de ser um menino ainda, tem uma forte visão do que é certo e errado. Ele é a consciência que faltava a Madora.

=> Será que conseguirá resgata-la do fundo do poço?

A narrativa é em 3ª pessoa, as estórias se intercalam, ora ficamos com a estória de Madora ora com a de Django. 
A leitura é rápida, dinâmica, tem momentos de suspense e o que mais me deixou intrigada é que mesmo tendo lido o livro inteiro, ainda  não consigo ter um posicionamento sobre Madora, e é exatamente esse mesmo sentimento que a permeou o livro todo. 

=> Será que ela é tão culpada quanto Willis?

O deserto em que vivem não é só físico, como também emocional e psicológico. Todos personagens vivem numa desolação, numa falta de esperança. Achei sensacional a escritora conseguir nos mostrar tão bem essa ligação.

Gostei muito da estória, principalmente porque é muito atual e o mais interessante é como a escritora conseguiu humanizar cada uma das personagens.