sábado, 21 de setembro de 2013

Resenha: A Improvável Jornada de Harold Fry - Rachel Joyce

"A gente tem que acreditar. É o que eu penso. O negócio não é medicina nem nada disso. A gente tem que acreditar que a pessoa pode melhorar. Tem tanta coisa na mente humana que a gente não entende. Mas sabe se a gente tem fé, pode fazer qualquer coisa". p. 18

O trecho acima foi determinante para Harold Fry começar a sua jornada.
Um dia, como todos os outros, depois que se aposentara, Harold estava tomando café da manhã com a esposa Mawreen, e eis que o correio entrega uma carta que muda sua vida. 
Uma carta de Queenie, uma ex funcionária da cervejaria onde Fry trabalhava, eles não se viam há mais de 20 anos, e na carta estava escrito que ela estava com câncer terminal e estava se despedindo.
Ele sem saber o que escrever, rabiscou algumas palavras e foi entregar a resposta na caixa do correio, como não tinha nada a fazer, decidiu ir até a agência do correio, e foi seguindo, até encontrar uma atendente de um posto de gasolina que lhe disse para ter fé; há muito Fry não rezava e nem tinha mais fé, mas nesse momento algo mudou dentro dele e ele continuou andando, enquanto ele andasse até a casa de repouso (a 870km de sua casa) Queenie permaneceria viva.

"O mundo era composto de pessoas colocando um pé na frente do outro, e uma vida poderia parecer trivial simplesmente porque a pessoa que a vivia vinha fazendo assim por muito tempo. Harold não podia mais passar por um estranho sem reconhecer o fato de que eram todos a mesma coisa, e ao mesmo tempo, únicos, e que era este o dilema de ser humano". p. 124

O mais encantador nesse livro é o poder da mudança e superação. Fiquei pensando durante a leitura, como a escritora Rachel Joyce pôde juntar tantos elementos e tantas lições de vida num mesmo livro.

Fry é um homem marcado pela infância triste, seu pai era um neurótico de guerra, alcoólatra, sua mãe fugira de casa, pois não nasceu para ser mãe. Ele hoje é um homem de 65 anos que só queria passar a vida desapercebido. É casado há 47 anos com Mawreen, no início eram apaixonados, mas hoje eles mal se falam, ela é controladora e culpa Harold por tudo o que acontece e aconteceu de errado na vida deles e do filho David.

Nos primeiros dias do sumiço de Fry, ela tem uma sensação de alívio, no entanto aos poucos, ela começa a sentir sua falta e a refletir na vida conjugal. O mesmo ocorre com Fry, enquanto anda, ele reflete sobre toda a sua vida, sua criação, seu emprego, seus pais, seu filho, seu casamento. Ele se dá conta de como fazemos tudo tão mecanicamente, de como não damos valor as pequenas coisas.

Cada parada que Harold Fry faz é uma lição que aprende, principalmente com as pessoas que encontra, e isso é interessantíssimo no livro.
No inicio não sabemos bem o porque dele caminhar para tentar salvar Queenie, se eles tiveram um caso, se ele esta apaixonado por ela...mas tudo no tempo certo é explicado.
Existe vários "mistérios" na história que serão contados no decorrer dessa caminhada.

O livro é lindo, encantador, emocionante, e muito bem escrito. É um drama maravilhoso!
A narrativa é em 3a pessoa, e Rachel Joyce, soube como poucos,  cativar e prender o leitor. 
O final é emocionante, é uma história sobre perdão, superação e amor.

"Receber era um dom tão grande quanto dar, sendo preciso tanto coragem quanto humildade". p. 155