segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Resenha: Cidades de Papel - John Green

"Eis o que não é bonito em tudo isso: daqui não se vê a poeira ou a tinta rachando ou sei lá o quê, mas dá para ver o que este lugar é de verdade. Dá para ver o quanto é falso. Não é nem consistente o suficiente para ser feito de plástico. É uma cidade de papel. Quer dizer, olhe só para ela, Q: olhe para todas aquelas ruas sem saída, aquelas ruas que dão volta em si mesmas, todas aquelas cosas construídas para virem abaixo. Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas vidas em casas de papel,queimando o futuro para se manterem aquecidas."p. 68

Eu adoro o John Green, amo de paixão os livros dele, então é claro que não podia ser diferente, amei "Cidades de Papel". 

Neste livro Green conta a estória de Quentin Jacobsen: um garoto de 18 anos que esta prestes a se formar no ensino médio, está a alguns dias do baile de formatura. Ele é um garoto centrado, responsável, tem amigos muito bacanas e meio nerds (Radar e Ben), seus pais são psicólogos, e ele tem uma paixão platônica por Margo, sua vizinha desde os 2 anos de idade.

Margo é a garota popular da escola. Ela e Q sempre foram amigos, mas quando eles tinham 10 anos, uma cena mudou tudo, eles viram um homem morto pendurado numa árvore. De alguma forma depois desse dia, a amizade dos dois nunca mais foi a mesma, até que 8 anos depois Margo convida Quentin para um engenhoso plano de vingança contra o seu namorado que a traiu. 
No dia seguinte ela some. 
No entanto, as sumidas de Margo eram mais ou menos comuns, e ela sempre deixava pistas. Quentim recorre a todo tipo de mensagem que ela possa ter deixado, sua meta é acha-la.

O que mais gosto nos livros de Jonh Green é que fico pensando na estória durante dias. 
São livros para "adolescentes", mas que fazem qualquer pessoa pensar sobre si mesma, sobre a vida, sobre tudo.
Nesse livro, eu me peguei pensando nessa questão de ser uma pessoa de papel, vidas de papel...como a gente às vezes se torna pessoas superficiais, como temos idéias do que as pessoas são, mas nunca saberemos exatamente como elas são e o que sentem. 
Como corremos atrás de nossas obsessões (e no livro explora muito bem isso na parte que a professora fala sobre Moby Dick) sem no entanto pararmos para conhecer e ver se aquela pessoa é só uma projeção do que queremos ou se é realmente assim.
Quentim descobre diversas Margos. A Margo dos amigos dela, a que ela espera, a dos pais dela...cada um faz uma idéia de como a Margo era, mas quem será que ela era realmente? Quem somos realmente? E quem nos conhece de verdade?

"Pensei na minha Margo, na Margo de Lacey, na Margo da Sra Spiegelman, e em todos nós olhando para o reflexo dela nos vários espelhos de um labirinto de espelhos de um parque de diversões". p. 211

Paguei R$22,00