sábado, 23 de março de 2013

Resenha: O Teorema Katherine - John Green

"Tava pensando no seu lance de ser importante. Eu acho que a sua importância é definida pelas coisas que são importantes procê. Seu valor é o mesmo das coisas que ocê valoriza". p, 267
Colin é um garoto que terminou o ensino médio, e que tem na sua bagagem 19 namoros rompidos por meninas chamadas Katherine.
Ele é um prodígio, que desde criança é incentivado, a aprender e a superar metas de aprendizado, pelo seu pai. Colin sente que o tempo esta passando e ele esta se distanciando cada vez mais de ser alguem importante, um gênio ou algo assim.
Depois que Katherine XIX desmancha o namoro com ele, Colin e seu amigo Hassan decidem passar o verão viajando, sem destino certo.
Hassan é o melhor/único amigo de Colin. Ele é muçulmano, não pretende fazer faculdade, e não quer nada da vida além de "sombra e água fresca".
"Qual o sentido de estar vivo se você nem ao menos faz algo extraordinário? Que estranho acreditar que um Deus lhe deu a vida e, ao mesmo tempo, achar que a vida não espera de você nada mais que ficar vendo TV". p. 46 
Após os pais concordarem, Colin e Hassam caiem na estrada, e a primeira parada é em Gutshot, onde eles conhecem Lindsey. Numa visita guiada ao cemitério, Colin cai e tem seu primeiro momento "eureca" que é fazer um Teorema sobre seus relacionamentos e descobrir porque ele sempre é um Terminado, e não um Terminante.
Os meninos conseguem um emprego para entrevistar os funcionários da fábrica de Hollin (Mãe de Lindsey) e a visão de mudo deles muda para sempre. 

Se John Green escrevesse bula para remédio, eu lia! Porque amo o jeito, a sensibilidade, o humor, e a delicadeza desse escritor.
Em "O Teorema Katherine", John mais uma vez fala sobre a busca da nossa essência. Quem somos verdadeiramente? O que queremos da vida? Porque a visão que os outros tem de nós, nos perturba tanto?
Colin sofre uma pressão inconsciente por parte do pai e até dele mesmo, de ser gênio, de fazer algo extraordinário no mundo, mas ao mesmo tempo, não consegue perceber as sutilezas da vida, não consegue pensar além de seu próprio umbigo, de sua própria vida e de seus relacionamentos fracassados. E o interessante da estória é ver a mudança de todas as personagens, de seu amadurecimento, e como o convívio consegue despertar o EU verdadeiro de cada um.
"Assim como quase nenhuma frase verdadeira começando com eu podia ser dita pela Linsey, Colin estava vendo todas as coisas que pensara serem verdadeiras a respeito de si mesmo, todas as frases dele com eu, irem por água abaixo. De repente, não havia só um pedaço faltando, mas milhares deles". p 222
Dos livros já publicados por Green, achei esse o mais "leve", é narrado em 3a pessoa, a leitura é super fácil, gostosa, as personagens são ricas de conteúdo e detalhes, o enredo é todo amarrado e super envolvente, eu ri muito em diversas passagens, e também me emocionei.
John conseguiu capturar toda aquela emoção e angústia de namoro, e ao mesmo tempo consegue genialmente criar cenas interessantes de humor e ironia, em todos os seus livros, ele cita conteúdos interessantes, outros títulos de livros que você acaba com vontade de ele também. No final, tem um Apêndice sobre os teoremas para quem gosta de matemática, é um prato cheio!
Penso que a maior lição que podemos tirar do livro é que cada dia é uma nova chance de se reinventar, e que o importante é aquilo que é importante para nós mesmos.

Recomendo muito!

Outros títulos de John Green: