segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Resenha: O Professor do Desejo - Philip Roth




"E, enquanto componho esses pedidos sinceros de desculpas e de perdão, sou tomado pelas emoções mais desordenadas e contraditórias - uma sensação de depreciação, de repugnância, de vergonha e remorso genuínos acompanhada de um forte sentimento de que não sou culpado de nada, de que a culpa é tanto dos indianos que cozinhavam arroz com curry quanto minha pelo fato de a indefesa e inocente Elizabeth se por a frente do caminhão."
Sinopse:
Publicado em 1977, "O professor do desejo" é uma espécie irônica e devastadora de romance de formação. A juventude, os anos na universidade e a descoberta — atribulada e frequentemente tragicômica — da sexualidade do acadêmico judeu David Kepesh são observados por Philip Roth com maestria narrativa e profundo senso cômico.
Filho do proprietário de um hotel numa região muito popular de veraneio entre os judeus de classe média de Nova York, Kepesh trava contato ainda na infância com o inesquecível Herbie Bratasky, espécie de “faz-tudo” artístico do estabelecimento: crooner de orquestra, mestre de cerimônias e cômico que não se furtava em fazer graça dos aspectos mais grotescos da experiência humana. Marcado por essa figura singular, o jovem David cresce e se torna um intelectual brilhante (detentor até mesmo de uma prestigiosa bolsa Fullbright), mas sempre às voltas com inúmeras tentativas de impressionar as mulheres e levá-las 
para sua cama em lugares tão diversos quanto Londres, Califórnia e cidades do Leste europeu em plena Cortina de Ferro.
Narrado com a marca característica dos melhores livros de Philip Roth, tendo a presença obsedante do humor, da sexualidade e da própria literatura como elementos principais do livro, O professor do desejo é uma sátira sem freios do eterno embate travado entre nossos instintos mais básicos diante dos princípios da civilização e da cultura. Personagem tão inesquecível quanto Alexander Portnoy (de O complexo de Portnoy) e Mickey Sabbath (de O teatro de Sabbath), David Kepesh conduz as peripécias desse livro já clássico da literatura contemporânea.

Minhas Impressões:
Esse foi o primeiro título de Philip Roth que li e já posso dizer que me encantei com o estilo literário do escritor. Uma escrita fácil de ser lida ao mesmo tempo profunda em seu conteúdo.
Em "O Professor do Desejo", conhecemos David Kapesh, um jovem judeu atormentado pelas suas escolhas sexuais, sua solidão e sua vida amorosa.
O livro começa com David contanto sobre sua infância no hotel da família, as épocas felizes onde o hotel vivia repleto de hospedes, depois sobre sua vida universitária e a descoberta do sexo, e a intensidade desse desejo.
Roth constrói muito bem todas as suas personagens, desde David até as mulheres que se relacionam com ele e seus colegas um tanto bizarros.
Kapesh luta entre a sua natureza e o desejo. Conhece na universidade Elizabeth e Brigita, duas suecas que logo satisfazem todos os seus desejos de orgias, mas logo a culpa atormenta David.
Em seguida, ele casa-se com Helen, mas não consegue levar o casamento a diante e sofre de uma solidão profunda e amarga. Vive anos sozinhos e fazendo terapia, o saudosismo e a nostalgia sempre estão presentes nele.
Senti muita influência de Kafka na leitura, principalmente na questão de que o homem é um ser em constante conflito.
Nota-se que o nosso protagonista sofre de uma amargura e melancolia sem fim, ele luta contra o  que quer e com o que a sociedade aceita. Ele parece sempre estar fugindo da sua natureza. Será que Kapesh encontra a felicidade até o final do livro? Só lendo! 


Informações:
Editora Companhia das Letras
Preço R$34
256 páginas